Comece pelos horários livres, não por um valor redondo
Médico não vende estoque, vende horas de agenda, e isso vale tanto para um consultório em Bauru quanto para uma clínica com várias salas. Antes de falar em reais, conte quantas primeiras consultas particulares cabem no mês sem atrasar os retornos. Esse número é o limite natural do investimento. Anunciar além dele gera fila, paciente insatisfeito e verba que não volta.
Se a agenda já vive cheia, a pergunta muda: talvez a verba deva ir para os horários menos procurados, como o começo da tarde, ou para a especialidade de um colega da clínica que ainda tem espaço.
Quanto vale um paciente particular
A consulta é só a entrada. Em muitas especialidades, o paciente volta para retornos, faz exames ou procedimentos no próprio consultório e segue em acompanhamento por anos. Somar o que um paciente costuma gerar no primeiro ano dá uma base mais justa do que olhar apenas o valor da consulta.
Pacientes de convênio entram em outra conta, porque o valor recebido por atendimento é outro. Muitos consultórios preferem concentrar a verba no atendimento particular e deixar o convênio chegar pelo mapa e pela indicação.
Teto por paciente e custo por contato
Com o valor do primeiro ano, decida quanto aceita investir por paciente novo. Depois, use a taxa de agendamento da secretária para chegar ao custo máximo por contato. Se um em cada quatro contatos vira consulta, cada contato pode custar até um quarto do teto.
Esse número muda por especialidade e por canal. O contato de quem pesquisou a especialidade junto com o nome da cidade tende a agendar mais do que o de quem viu um vídeo pela primeira vez, então o teto por contato pode ser diferente em cada campanha.
Divisão entre Google e Instagram por especialidade
Especialidades com procura frequente e necessidade imediata, como ortopedia, normalmente começam com a maior parte da verba no Google. Especialidades de acompanhamento contínuo, ou consultas de valor alto que pedem confiança antes do primeiro contato, dividem melhor com o Instagram.
No Google, um indicador ajuda a decidir se vale colocar mais dinheiro: a parcela de impressões perdida por orçamento. Quando ela é alta e o custo por consulta está bom, existe procura que o consultório não está atendendo. Quando é baixa, aumentar a verba tende a só encarecer o clique.
A sazonalidade depende da especialidade
Não há um calendário único para a medicina. Quadros respiratórios se concentram nos meses frios, algumas queixas de pele aumentam com o sol, e consultas eletivas tendem a esfriar nas férias de fim de ano. O histórico de agendamentos do consultório é a melhor fonte para saber quando reforçar e quando reduzir.
Clínicas com várias especialidades podem remanejar a verba entre elas conforme a estação, sem repetir a mesma divisão de janeiro a dezembro.
Onde a verba do consultório costuma escorrer
Na maioria das contas médicas, o desperdício se concentra em poucos pontos:
- Grupo de sintomas com orçamento livre, consumido por quem só queria ler sobre a doença.
- Mensagens de fim de semana esquecidas até a secretária voltar, quando o paciente já marcou com outro.
- A mesma verba para todas as especialidades da clínica, sem olhar o custo por consulta de cada uma.
- Campanha de alcance sem uma etapa seguinte para convidar quem assistiu.
- Paciente de convênio não aceito clicando em anúncio pensado para atendimento particular.
Quanto tempo esperar e quando mexer na verba
Com algumas semanas de campanha, já dá para ver o custo por contato. O custo por consulta realizada pede um pouco mais, porque costuma haver intervalo entre o contato e a data marcada. Mudanças grandes de verba no meio desse intervalo embaralham a leitura.
Suba a verba em degraus enquanto o custo por consulta ficar dentro do limite e sobrarem horários na agenda. Reduza quando a agenda enche ou quando a taxa de agendamento cai, sinal de que o gargalo está no atendimento, e não na falta de anúncio. E, ao comparar com o valor do paciente, inclua tanto a verba paga às plataformas quanto o custo de quem cuida das campanhas.
Conta de exemplo
| Consulta particular | R$ 400 |
|---|---|
| Retornos e exames no primeiro ano | R$ 400 |
| Valor do paciente no primeiro ano | R$ 800 |
| Teto de anúncio por paciente novo | R$ 200 |
| Contatos que viram consulta | 1 em cada 4 |
| Custo máximo por contato | R$ 50 |
| Verba para 10 horários livres no mês | até R$ 2.000 |
Números hipotéticos para mostrar a lógica. A conta real usa os dados do seu consultório e da sua especialidade.
Perguntas frequentes
Faz sentido anunciar se atendo só convênio?
Faz menos sentido pagar por anúncio quando a agenda de convênio já enche sozinha. Nesse caso, o investimento costuma ir para o Perfil da Empresa e para uma campanha com o nome do médico, que pedem pouca verba e garantem que quem já procura você encontre o contato certo.
Como dividir a verba numa clínica com várias especialidades?
Cada especialidade precisa de campanha e meta próprias, porque valor de consulta, procura e taxa de agendamento mudam muito. A divisão inicial favorece as especialidades com horário livre e melhor valor por paciente e muda conforme o custo por consulta de cada uma aparece.
Como a Vela acompanha esse investimento?
Nos consultórios de Bauru e região que atendemos, o custo de cada consulta conquistada é conferido contra o teto definido no diagnóstico, e um semáforo indica se o investimento do mês está no ritmo combinado. A secretária registra no CRM quem agendou e quem compareceu, e o resumo semanal chega pelo WhatsApp.
